A Ford Pro levantou finalmente o véu sobre a futura E-Transit Custom, a interpretação 100% elétrica do furgão de uma tonelada mais vendido na Europa.
Depois de, em maio, ter divulgado as primeiras imagens desta nova geração, é agora a vez de conhecermos o habitáculo - onde surgem soluções particularmente práticas - e de ficarem públicas as principais especificações técnicas.
Ainda assim, apesar desta apresentação, a nova E-Transit Custom só entra em produção no outono… de 2023. A montagem terá lugar na Turquia, em Kocaeli, nas instalações da Ford Otosan, lado a lado com a E-Transit de maiores dimensões.
Para lá da E-Transit Custom, a Ford já tem no mercado a E-Transit (que já conduzimos) e, até 2024, a gama Ford Pro vai receber mais três propostas totalmente elétricas: a Transit Courier, mais compacta, e as versões de passageiros dos furgões, Tourneo Courier e Tourneo Custom.
Ainda assim, a oferta com motores de combustão não desaparece: mais tarde, a E-Transit Custom será acompanhada por variantes Diesel e híbridas de carregamento externo.
Mais baixa e mais amiga do vento
Voltando à E-Transit Custom, o desenho é novo, mas mantém um ar familiar. No entanto, está mais depurado e com proporções ligeiramente revistas, resultado de uma altura inferior e de um eixo dianteiro colocado mais à frente.
Estas mudanças denunciam a nova plataforma, que também baixa o piso da zona de carga face ao modelo anterior - algo que deverá facilitar carregamentos e descargas - apesar de as baterias estarem “arrumadas” sob o piso, entre os eixos.
E não foi apenas o piso a descer: a altura total da E-Transit Custom é inferior à das Transit atuais, ficando abaixo dos dois metros. Na prática, isto deverá ajudar no acesso a locais com limitações de altura, como parques de estacionamento subterrâneos.
Com uma silhueta mais baixa, a aerodinâmica também beneficia. A Ford Pro aponta para uma resistência aerodinâmica 10% inferior à das Transit atuais - um ganho importante para aumentar a autonomia - e refere, entre outras medidas, a otimização do desenho das óticas traseiras e das jantes.
Não faltam variantes
Como seria de esperar, a Ford E-Transit Custom vai chegar em múltiplas configurações. Estão previstas duas distâncias entre eixos, duas alturas de tejadilho e duas carroçarias (combi e dupla).
Deste modo, a E-Transit Custom disponibiliza volumes de carga entre 5,8 m³ e 9,0 m³, com carga útil até 1100 kg e um comprimento máximo de carga de 3450 mm. E, apesar da cadeia cinemática elétrica, mantém capacidade de reboque até 2000 kg.
Escritório e cantina
A antepara em “L” foi apenas uma das novidades introduzidas na E-Transit Custom depois de a Ford Pro ter trabalhado de perto com os seus clientes - através do laboratório de design D-Ford, chegou mesmo a acompanhar alguns utilizadores no quotidiano para perceber de que forma a Transit era usada.
A conclusão foi clara: a cabina não funciona apenas como posto de condução. Muitas vezes, é também um escritório móvel e, em diversos momentos, acaba por servir como cantina.
Desta análise nasceram novas ideias e opções, como o pacote Escritório Móvel, pensado para reforçar o papel de posto de trabalho na nova E-Transit Custom.
O elemento mais chamativo é o novo volante basculante com base cortada, que pode transformar-se numa superfície plana para apoiar tablets e computadores portáteis, ou numa mesa, seja para preencher documentação, seja para fazer uma refeição.
Este conjunto acrescenta ainda iluminação LED regulável na zona do volante, uma luz extra no tejadilho e espaços adicionais de arrumação entre os bancos.
O piso do habitáculo passa também a ser plano, o que facilita a passagem entre lados, e o passageiro central ganha espaço: deixa de existir a manete da caixa de velocidades (os comandos mudam para a coluna de direção) e o travão de mão passa a ser elétrico.
Há igualmente mais locais de arrumação no tabliê, uma vez que o airbag do passageiro foi reposicionado para o teto.
Até 380 km de autonomia na E-Transit Custom
A nova geração do furgão surpreende igualmente na forma como está configurada a nível mecânico e dinâmico.
O único motor elétrico de tração está instalado no eixo traseiro - ou seja, há tração traseira - e, por isso, a suspensão traseira passa a independente (braços transversais). É uma solução pouco comum neste tipo de veículo e que promete dotar o furgão de capacidades dinâmicas superiores às dos principais concorrentes.
O motor elétrico está disponível em dois níveis de potência: 100 kW (136 cv) e 160 kW (217 cv), mantendo-se o binário de 415 Nm em ambas as versões.
A alimentação fica a cargo de baterias de 400 V com 74 kWh de capacidade, baseadas em bolsas de células de 82 Ah, partilhadas com a F-150 Lightning, a inédita versão elétrica da carrinha de caixa aberta da Ford.
No total, a autonomia máxima anunciada é de 380 km, e a Ford Pro afirma que este valor corresponde a quatro vezes a quilometragem média diária típica dos furgões de uma tonelada.
Para ajudar a reduzir consumos e, assim, aumentar a autonomia, a E-Transit Custom inclui de série uma bomba de calor com injeção de vapor - a Ford diz ser o primeiro veículo elétrico a recorrer a esta solução - capaz de aquecer e arrefecer a cabina.
A marca destaca ainda a possibilidade de utilizar a E-Transit Custom como “bateria”, através da tecnologia ProPower, apta a fornecer energia para ferramentas, iluminação e outros dispositivos no local de trabalho.
Muito mais que um furgão
A E-Transit Custom evidencia também uma forte aposta no digital e na conectividade. Inclui modem 5G e todas as versões recebem de série um ecrã tátil central de 13″, que dá acesso ao SYNC 4 da Ford.
Além disso, este novo furgão abre a porta ao ecossistema de software da Ford Pro - que já detalhámos num artigo próprio -, com um conjunto alargado de soluções e serviços.
Tempo é dinheiro
Entre as promessas da Ford Pro para a E-Transit Custom está um custo total de propriedade (TCO) mais baixo até 40% face a um furgão equivalente com motor Diesel.
Mas a ambição passa também por aumentar a rentabilidade. A Ford Pro refere que, com o sistema conectado FORDLiive, é possível reduzir o tempo de imobilização do veículo em até 60% - valor calculado a partir de dados recolhidos já este ano, em que o sistema terá proporcionado 145 mil dias adicionais de disponibilidade, traduzidos em 73 milhões de euros para os clientes.
Há ainda outra ferramenta, a Assistência de Entregas, desenhada para automatizar pequenas ações que podem poupar segundos valiosos em cada paragem - e há quem faça 200 paragens por dia e entregue 500 artigos.
Assim que o condutor seleciona a posição de estacionamento da transmissão, a Assistência de Entregas pode ativar automaticamente os quatro piscas, fechar os vidros e trancar a porta quando o motorista sai do furgão - e, no regresso, o condutor não precisa da chave para entrar e ligar a E-Transit Custom.
Existe também uma chave digital, semelhante a um cartão-chave de hotel, com o objetivo de evitar que os operadores percam tempo e dinheiro a duplicar, gerir e substituir chaves.
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