Conforto e requinte em alta, mas o preço…
Para quem ainda não está familiarizado com o Citroën ë-C4 X, trata-se da versão berlina de quatro portas do já conhecido ë-C4 (e também do C4), trazendo para a família da marca francesa uma silhueta diferente - uma berlina de perfil descendente, que a Citroën descreve como fastback.
Além da nova linha, o acréscimo de 240 mm face ao C4 de dois volumes e cinco portas (passa a 4,6 m no total) reflete-se sobretudo na capacidade da bagageira: são 510 l, ou seja, mais 130 l.
Ainda assim, este ë-C4 X não envereda por um aspeto mais clássico, como tantas vezes sucede neste tipo de carroçaria. À semelhança do C4 já conhecido, nota-se uma forte inspiração nos SUV. Na prática, posiciona-se como uma espécie de berlina de vocação SUV - à imagem do maior C5 X - numa abordagem recente não apenas da Citroën, mas também do grupo Stellantis.
Exclusivamente elétrico, por agora
Em Portugal, o ë-C4 X chega, para já, apenas com motorização elétrica (algo que a própria designação já sugeria). O conjunto é exatamente o mesmo do ë-C4: motor dianteiro com 100 kW (136 cv) e 260 Nm.
São números plenamente suficientes para gerir os mais de 1650 kg do ë-C4 X. Não é o tipo de carro que impressiona em prestações (9,5s dos 0-100 km em Sport), mas a disponibilidade imediata de resposta - típica de qualquer elétrico - torna a condução descomplicada e agradável.
A bateria também não muda: 50 kWh, com uma autonomia homologada de 360 km entre carregamentos - ligeiramente superior à do dois volumes, graças à menor resistência aerodinâmica (Cx 0,29). Algo que só um ensaio mais longo permitirá confirmar.
Ainda assim, neste primeiro contacto dinâmico e apresentação nacional, ficámos a saber que o ë-C4 X será acompanhado pelo C4 X a combustão nas próximas semanas, tal como já sucede noutros mercados europeus.
Isso significa que vão juntar-se opções a combustão com os conhecidos 1.2 PureTech de 100 cv e 130 cv e o 1.5 BlueHDI de 130 cv.
Ao contrário do elétrico ë-C4 X, que se divide por quatro níveis de equipamento - Feel, Feel Pack, Shine e Shine Pack -, os C4 X a combustão terão uma oferta mais curta.
Por exemplo, o 1.2 PureTech de 100 cv ficará limitado à caixa manual e ao nível de entrada Feel. Já o 1.2 PureTech de 130 cv e o 1.5 BlueHDI surgem exclusivamente associados à caixa automática.
Infoentretenimento é novidade
Ao entrar no habitáculo do ë-C4 X, a sensação é a esperada: o desenho e ambiente são muito semelhantes aos do C4 que já conhecíamos, embora existam estreias importantes.
O mais recente sistema de infoentretenimento da marca francesa, o My Citroën Drive Plus (apresentado inicialmente no C5 X), passa agora a integrar o C4 X. A operação é feita através de um ecrã central de 10″, que revela boa qualidade, embora eu preferisse uma atuação mais rápida na fluidez e na resposta aos comandos.
O sistema permite configurar a interface ao gosto do utilizador, com ecrãs personalizáveis, e a navegação acaba por ser relativamente simples.
Conforto na ordem do dia
Como se antecipava, o conforto é o tema central a bordo deste Citroën ë-C4 X. Contribuem para isso tanto os bancos Advanced Comfort (com enchimento adicional) como a suspensão homónima com batentes hidráulicos progressivos.
Mesmo com jantes de 18″ de série, o conforto mantém-se sempre em patamar elevado, com muito boa capacidade para filtrar a maioria das irregularidades do piso.
O que não se verifica é um ganho evidente de espaço na segunda fila, apesar dos 240 mm adicionais do “X”. A razão é simples: a distância entre eixos é exatamente a mesma nas duas carroçarias. Ainda assim, a Citroën optou por reclinar mais o encosto traseiro - está agora nos 27º - o que ajuda a afastar um pouco os joelhos dos bancos dianteiros.
Dito isto, independentemente do lugar escolhido, o conforto está assegurado e é reforçado por um nível de refinamento elevado. Isso deve-se não só ao silêncio da motorização elétrica, mas também a uma insonorização competente e a uma montagem sólida. Ainda assim, a velocidades de autoestrada, surgem alguns ruídos aerodinâmicos vindos dos retrovisores.
Confortável sim, mas…
Esta aposta clara no conforto acaba, no entanto, por «pagar fatura» nas aptidões dinâmicas e na forma como o Citroën ë-C4 X conduz.
Do ponto de vista da condução, seria bem-vindo um comando de direção com mais tato e mais peso - nem que fosse apenas em Sport, já que este não se distancia muito do modo Normal. Já no comportamento, gostaria de ver maior controlo dos movimentos de carroçaria quando se eleva o ritmo e o piso piora.
Nessas condições, a carroçaria revela muitos movimentos, o que até acaba por jogar um pouco contra o conforto que define o Citroën ë-C4 X.
Apesar de o comportamento ser previsível e seguro, senti algumas perdas de motricidade à saída de certas curvas - prontamente corrigidas pelos controlos de tração e estabilidade. Os 260 Nm instantâneos colocam desafios aos pneus, que aqui privilegiam a eficiência em detrimento da aderência.
Por fim, uma referência ao pedal do travão. Tal como em muitos outros elétricos e híbridos, o tato e a sensibilidade não são exemplares. A potência de travagem é correta, mas torna-se difícil dosear a pressão necessária, devido à gestão da transição entre a travagem regenerativa (elétrica) e a hidráulica.
Gasta muito?
Avaliar consumos num primeiro contacto dinâmico é sempre ingrato: são normalmente percursos curtos e a condução nem sempre é «normal».
Ainda assim, após cerca de uma centena de quilómetros - com trajeto que juntou cidade, autoestrada e estradas secundárias -, o computador de bordo apontava pouco mais de 17 kWh/100 km, um valor relativamente próximo dos 16 kWh/100 km oficiais em ciclo combinado WLTP.
Quanto custa?
No mercado nacional, o Citroën ë-C4 X é proposto com quatro níveis de equipamento: Feel, Feel Pack, Shine e Shine Pack.
De série, todas as versões incluem jantes de 18″, ar condicionado automático, retrovisores exteriores elétricos e aquecidos, faróis LED, consola central elevada com apoio de braço e porta-copos, volante em pele, ecrã central tátil de 10″ e sensores de estacionamento traseiro.
Ao subir na gama, é possível valorizar o interior com bancos de regulação elétrica, aquecidos (à frente e atrás) e até com função de massagens. Também podem surgir revestimentos em Alcantara. Nas ajudas à condução, o total pode chegar a 20, permitindo condução semiautómoma (nível 2).
Apesar da dotação, é difícil justificar os 40 185 euros pedidos pela versão mais acessível do ë-C4 X (em média, fica 350 euros acima do ë-C4 de cinco portas).
Não é, de todo, um valor particularmente apelativo - sobretudo quando, atualmente, existe à venda uma berlina norte-americana elétrica por menos de 40 mil euros, com mais espaço, mais performance e mais autonomia.
Como sucede com outras propostas do género, o Citroën ë-C4 X tende a fazer mais sentido no contexto de empresas e frotas do que para clientes particulares, já que os benefícios fiscais são bastante mais atrativos.
Mesmo assim, há vários argumentos a seu favor e o mercado parece validá-los. Em Portugal, o C4 foi líder entre as berlinas familiares do segmento C em 2022, com 40% do total das vendas a pertencerem ao elétrico ë-C4.
O ë-C4 X surge com a ambição de reforçar essa liderança e, mesmo com a chegada das versões a combustão, deverá ser esta variante a mais procurada, segundo as previsões dos responsáveis da marca francesa em Portugal.
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