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Mercedes-Benz EQT: o Classe T eletrificado é mesmo mais apetecível?

Carrinha elétrica Mercedes-Benz EQT prata estacionada junto a posto de carregamento interior.
A Mercedes-Benz eletrificou o Classe T. Será o EQT uma proposta mais apetecível?

O Mercedes-Benz EQT resulta de uma mistura pouco habitual e aponta diretamente a famílias que precisam de espaço e de vários lugares, mas querem dar o salto para a mobilidade 100% elétrica sem terem de esticar o orçamento ao limite.

Em termos de ADN, o EQT é uma combinação de Renault e Mercedes - ambos saem da mesma unidade de produção em Maubeuge, em França. É totalmente elétrico, porém assenta numa base técnica derivada de modelos com motor de combustão; e, apesar da carroçaria de veículo comercial, por dentro aproxima-se bastante de um monovolume.

Quem esperava algo mais próximo do protótipo apresentado há cerca de um ano vai, muito provavelmente, ficar desiludido. À vista, as diferenças para os Classe T “fumarentos” (combustão) são reduzidas. Na traseira, a falta de ponteiras de escape acaba mesmo por ser uma das alterações mais óbvias.

A outra mudança relevante está na frente: a grelha dá lugar a um painel negro e as entradas de ar ficam mais estreitas, até porque as exigências de refrigeração são inferiores às das versões a combustão.

Segunda fila é onde tudo acontece

É no habitáculo que surgem os maiores trunfos do Mercedes-Benz EQT. As portas deslizantes dos dois lados criam uma abertura muito ampla e tornam o acesso significativamente mais simples.

E é fácil acreditar que também facilitem a entrada para a terceira fila na variante longa, que deverá ser mostrada antes do final deste ano.

Ao abrir e fechar as portas laterais percebe-se que são leves: basta destrancar e dar um empurrão muito suave para que concluam o curso por completo.

Na segunda fila, os bancos estão divididos em 1/3-2/3 e ainda permitem avançar e recuar alguns centímetros - uma possibilidade que não existe nas versões com motor de combustão.

De forma curiosa, o lugar central é o mais confortável para um adulto, já que o assento é mais macio. Além disso, nos lugares exteriores é fácil bater com o ombro no plástico do pilar traseiro. E nas portas deslizantes não há apoio de braço.

Nesta configuração de cinco lugares que conduzi, os bancos da segunda fila não são amovíveis; no entanto, no Mercedes-Benz EQT longo será possível removê-los, tal como os dois bancos da terceira fila.

Espaço para quase tudo

A habitabilidade é razoável em comprimento (60 cm na segunda fila chegam bem para um passageiro com 1,85 m de altura), enorme em altura (110 cm) e mais contida em largura (136 cm).

O conforto de quem viaja atrás beneficia do piso totalmente plano e das saídas de ventilação dedicadas a estes lugares (sem possibilidade de ajustar caudal ou temperatura).

Também ajuda o claro efeito de “anfiteatro”: os bancos da segunda fila estão bastante mais elevados do que os da primeira, em parte (5 cm) devido à instalação das baterias por baixo da metade posterior do piso.

Quando um adulto se senta aqui, a sensação é quase de estar num trono; em contrapartida, as pernas ficam muito levantadas e os joelhos podem tocar facilmente nas mesinhas nas costas dos bancos dianteiros, se as estivermos a utilizar. Já as crianças até 1,65 m de altura vão apreciar a visibilidade desimpedida para a frente.

Ainda assim, o Mercedes-Benz EQT (elétrico) tem um ponto menos favorável face ao Classe T (combustão): com os bancos dianteiros na posição mais baixa, não há espaço para encaixar os pés dos ocupantes da segunda fila por baixo.

Aquém do esperado

O interior é marcado por uma predominância de preto, apontamentos em plástico com aparência metalizada e pelo seletor da transmissão colocado numa posição elevada.

O quadro de instrumentos é analógico, com grandes mostradores circulares nas extremidades, mas com um ecrã digital ao centro (5,5”) - no “irmão” Renault é totalmente digital.

O sistema de infoentretenimento pode ser operado através do ecrã tátil central de 7” - algo reduzido; no “irmão” Kangoo é de 8” -, pelos comandos no volante ou, como opção, pelo assistente de voz “Hey Mercedes”.

No conjunto, a perceção de qualidade fica aquém do desejável, seja pela abundância de materiais rígidos, seja por alguns conteúdos que ficam abaixo do que oferece o “irmão” francês.

E isto custa a “aceitar” num modelo cujo preço de entrada supera os 50 000 euros - além de não ser algo habitual num Mercedes-Benz.

Um motor, uma bateria

Ao contrário de elétricos de segmentos superiores, o Mercedes-Benz EQT disponibiliza apenas um motor elétrico - 90 kW (122 cv) e 245 Nm - e uma bateria de 45 kWh (com oito módulos e células de bolsa).

O motor síncrono de íman permanente está montado à frente. O condutor tem dois modos de condução à escolha - Eco e Comfort - e três níveis de regeneração (D-, D, D+). Para os selecionar, empurra-se o seletor da transmissão para a direita e depois para cima ou para baixo, conforme o nível pretendido.

Ao volante

Sente-se que o Mercedes-Benz EQT 200 acelera de forma moderada, e com 122 cv e duas toneladas dificilmente poderia ser diferente.

Em ambiente urbano, ainda assim, revela-se bastante desembaraçado graças à entrega imediata dos 245 Nm. Já em vias rápidas, é preferível não contar com a faixa da esquerda, até porque a velocidade máxima é baixa (132 km/h).

Uma particularidade do Mercedes-Benz EQT é recorrer a um eixo traseiro rígido com barra Panhard, ao passo que o Classe T a combustão para passageiros utiliza suspensão traseira independente. É uma solução mais simples, mas aqui necessária para lidar com o maior peso da bateria.

A diferença nota-se sobretudo em pisos degradados; fora disso, o EQT mostrou-se estável, com o peso do acumulador a ajudar a contrariar a inclinação lateral.

Nesta unidade, havia ainda a vantagem extra dos pneus 205/55 R17 (de série são mais estreitos e montados em jantes de 16″). A direção faz o que se pede, sem se destacar por qualquer motivo particular.

O pedal de travão, por seu lado, é mais progressivo e reage melhor no início do curso do que em vários elétricos da Mercedes, e o sistema de travagem usa discos ventilados tanto à frente como atrás, o que merece elogio.

Poupada, mas o percurso ajudou

Este primeiro contacto dinâmico aconteceu em Gotemburgo (Suécia) e arredores, com pouco trânsito e um itinerário que incluía também um pequeno troço de autoestrada.

No entanto, os limites de velocidade, bastante apertados, obrigaram a um ritmo muito contido: 90 km demoraram quase duas horas a cumprir (47 km/h de média).

Assim, o consumo médio ficou nuns muito bons 16,8 kWh/100 km, abaixo do valor homologado (19 kWh/100 km). E isto apesar de a temperatura exterior ser baixa, a rondar os 10 ºC.

Não é assim tão acessível

Apesar do discurso de preço relativamente acessível, quando se fala de um início na casa de uns estimados 53 mil euros, torna-se difícil aceitar o que o EQT entrega - mesmo quando comparado com o “irmão” Kangoo E-Tech - e tratando-se de um Mercedes-Benz.

Também os dados da própria cadeia cinemática - potência, performance, autonomia - acabam por saber a pouco face ao valor pedido.

Veredito

Especificações Técnicas

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