Matrículas na Alemanha: os híbridos plug-in disparam nas vendas
Na Alemanha, há uma motorização que tem vindo a ganhar particular destaque nas tabelas de vendas dos últimos meses e, ao contrário do que seria de esperar, não é a 100% elétrica. Segundo a ACEA, os híbridos plug-in foram os que mais cresceram no último ano.
Comparação com elétricos, híbridos convencionais, gasolina e Diesel
Ao longo dos primeiros 10 meses do ano, registaram-se 248 706 matrículas de híbridos plug-in, o que representa um aumento de 63,4%. Entretanto, apesar de terem colocado mais unidades na estrada no total - 434 627 un. no caso dos elétricos e 673 922 un. nos híbridos convencionais (que não necessitam de ligação à corrente) - estas duas soluções avançaram 39,4% e 10,3%, respetivamente.
A tendência de queda mantém-se nas restantes motorizações: gasolina e Diesel continuam a recuar, com -22,5% (654 657 un.) e -18,6% (338 463 un.), pela mesma ordem.
Este salto nas vendas tem apanhado muitos analistas de surpresa, uma vez que os híbridos plug-in são, em regra, os mais dispendiosos no momento da compra.
Um estudo do centro de investigação automóvel de Bochum, coordenado pelo analista Ferdinand Dudenhöffer, concluiu que, em novembro, o preço médio dos híbridos plug-in era de 46 125 euros, face a 34 674 euros nos elétricos e 33 024 euros nos veículos a combustão. A análise incidiu sobre o preço sem descontos de 20 modelos em cada tipologia de motorização.
O que está em causa?
O facto de os híbridos plug-in apresentarem o preço médio mais elevado explica-se, em grande medida, por esta tecnologia estar sobretudo concentrada nos segmentos superiores do mercado. Já os 100% elétricos têm-se vindo a alargar de forma crescente aos segmentos mais acessíveis, o que tem puxado o respetivo preço médio para baixo.
O aumento mais expressivo nas vendas desta tecnologia está ligado, acima de tudo, a um regime fiscal favorável para empresas: na Alemanha, mais de 80% dos híbridos plug-in vendidos são adquiridos por empresas.
Essa vantagem está associada à tributação do uso privado de viaturas de empresa, considerado um benefício em espécie e sujeito a imposto como rendimento.
No caso dos híbridos plug-in (80 km ou mais de autonomia elétrica e menos de 50 g/km de CO₂), aplica-se mensalmente uma taxa de 0,5% sobre o preço bruto do veículo - metade do valor aplicado aos veículos exclusivamente a combustão -, o que torna este incentivo especialmente relevante para as decisões de compra das empresas.
“O custo adicional de um híbrido plug-in é, assim, parcialmente ou completamente eliminado após vários anos de poupanças fiscais”, afirma Dudenhöffer no mesmo estudo. “Se quiser, a taxa de 0,5% atua como um «desconto escondido» que torna estes carros, maiores e mais potentes, mais acessíveis às empresas”.
Elétricos mais baratos não demovem alemães
A descida progressiva dos preços dos elétricos não parece, ainda assim, suficiente para alterar a preferência de muitos condutores alemães.
As metas de emissões da União Europeia até 2035 têm vindo a colocar grande pressão sobre os construtores, no sentido de colocarem no mercado mais elétricos e, simultaneamente, mais acessíveis. Na Alemanha, só no ano passado, o número de modelos elétricos disponíveis aumentou de 211 para 264.
Por serem vistos como tecnologia de transição, os híbridos plug-in não têm sentido a mesma pressão. Isso tem contribuído para que os fabricantes alemães e as suas subsidiárias mantenham uma posição sólida no segmento dos híbridos plug-in. Entre janeiro e outubro, quase 3/4 dos híbridos plug-in vendidos foram de marcas como Volkswagen, Mercedes-Benz, Audi, CUPRA e Skoda, de acordo com o estudo de Bochum.
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