O Bugatti Veyron foi revelado há 20 anos e mudou as regras do jogo no mundo automóvel: tornou-se o primeiro carro de produção a ultrapassar os 1000 cv e a passar a fasquia dos 400 km/h, além de inaugurar a era do automóvel de um milhão de euros. Era uma coleção de superlativos - e, ao mesmo tempo, um hiperdesportivo que se deixava usar no dia a dia, quase como se fosse um carro “normal”.
Duas décadas mais tarde, o Veyron regressa às manchetes, não por via de uma reedição nem por mais um leilão milionário, mas enquanto referência máxima de engenharia e de desenho. O nome do projeto é Bugatti F.K.P. Hommage: uma recriação do Veyron e, acima de tudo, um tributo a Ferdinand Karl Piëch, o homem que idealizou o Veyron e impôs uma ambição que muitos consideravam irrealizável.
Bugatti F.K.P. Hommage e a herança de Ferdinand Piëch
Este é o segundo trabalho do exclusivo Programme Solitaire - o primeiro foi o Bugatti Brouillard - e, por partir também do Chiron, preserva o emblemático W16 com quatro turbos, aqui levado à sua evolução mais extrema, com 1600 cv. A acompanhar estão uma transmissão reforçada e soluções de arrefecimento e aerodinâmica ainda mais avançadas.
De certa forma, o F.K.P. Hommage prova que a visão de Ferdinand Piëch para a marca francesa - manter-se incomparável, como defendia o seu fundador, Ettore Bugatti - continua a ser pertinente. E, hoje, talvez até mais do que nunca: num panorama automóvel cada vez mais uniforme, propostas assim - verdadeiramente incomparáveis - sobressaem com uma força que não se via há 20 anos.
Bugatti Veyron reinterpretado 20 anos depois
À primeira vista, não há dúvidas: o F.K.P. Hommage é um Veyron. As proporções clássicas e a elegância do traço foram preservadas, com uma presença que se anuncia de forma discreta, mas profundamente cativante.
A grelha dianteira em ferradura, tão característica, passa a ser uma peça única, maquinada a partir de um único bloco de alumínio, e surge mais integrada nas linhas da carroçaria. Cada superfície foi trabalhada ao milímetro; a assinatura de dois tons mantém-se, embora agora executada com maior rigor e com uma continuidade mais natural entre painéis.
O vermelho, por sua vez, recorre a técnicas mais evoluídas de sobreposição de camadas, capazes de criar uma profundidade que se transforma consoante a luz. O contraponto é assegurado por fibra de carbono com pigmentos específicos, sublinhando o lado artesanal deste projeto.
No habitáculo, a mudança é ainda mais evidente. O desenho inspira-se no espírito Bauhaus do Veyron original, mas recorre a materiais e soluções contemporâneas. Alumínio, tecidos exclusivos e um volante de desenho circular (uma raridade atualmente) ajudam a compor uma atmosfera singular.
O detalhe mais emblemático, porém, é o relógio Audemars Piguet Royal Oak Tourbillon integrado no tabliê, alimentado pelo próprio movimento do automóvel. Um pormenor que condensa a filosofia do modelo: engenharia sem cedências, levada ao limite.
Como já foi referido, existirá apenas um F.K.P. Hommage. O preço? Só a Bugatti e o cliente o sabem, mas tudo indica que não deverá ficar longe dos 11 milhões de euros do La Voiture Noire de 2019.
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