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Jeep Wrangler vai deixar de ser vendido na Europa

Jeep Wrangler verde estacionado no interior de sala de exposição automóvel com grandes jantes e pneus robustos.

Os rumores já circulavam há cerca de um ano, mas agora ganham contornos de confirmação: o Jeep Wrangler, um verdadeiro ícone, prepara-se para sair de comercialização na Europa - e no Reino Unido, por exemplo, as encomendas deixaram de ser aceites no final do ano passado.

Regulamentos europeus (GSR2) apertam o cerco ao todo-o-terreno

“Existem várias regulamentações que tornam a compatibilidade do Wrangler com a Europa difícil, como a entrada de mais regras de segurança, que entram em vigor a meio de 2026 e exige recursos adicionais complicados de implementar no Wrangler”, explicou Marco Montepeloso, chefe de planeamento de produto da Jeep na Europa, ao Auto Express.

Foi em julho de 2022 que começou a aplicar-se, de forma faseada, o novo pacote de normas de segurança da União Europeia, conhecido como GSR2 (Regulamento Geral de Segurança 2). A terceira fase entra em vigor a partir de 7 de julho de 2026 e passa a obrigar todos os veículos a integrarem sistemas como:

  • Aviso Avançado de Distração do Condutor (ADDW)
  • Sistema de Manutenção de Via de Rodagem de Emergência (ELKS)
  • Registo de Dados de Eventos (EDR)

Estas exigências já se aplicavam a todos os modelos novos lançados desde julho de 2024, mas os veículos que já estavam à venda escapavam por enquanto a essa obrigação.

Atualização de 2024: mais segurança, mas sem cumprir a cibersegurança

A mais recente atualização do Wrangler chegou precisamente em 2024 e trouxe melhorias no equipamento de segurança, como o alerta de atenção do condutor, o aviso de saída de via e novos airbags laterais. Ainda assim, as regras que se aproximam incluem também novos requisitos de cibersegurança - e é aí que o Wrangler não cumpre.

Metas de emissões também não ajudam

Com a última atualização, em Portugal o Wrangler passou a estar disponível apenas na variante híbrida plug-in (4xe), que combina um motor 2,0 litros turbo com dois motores elétricos e anuncia emissões oficiais de 79 g/km (WLTP). No entanto, noutros mercados europeus mantinha-se a opção apenas a gasolina (2.0 Turbo), com emissões de 269 g/km de CO₂.

Entretanto, muito recentemente, a Stellantis optou por retirar de uma só vez toda a sua gama híbrida plug-in na América do Norte. O Wrangler está incluído nessa decisão, apesar de ser o híbrido plug-in mais vendido nos EUA. O contexto passa pelo término dos incentivos fiscais - que reduziu a competitividade do modelo - e por uma reorientação estratégica da Stellantis para, ao que tudo indica, elétricos com extensor de autonomia (EREV).

Na prática, terminar o Wrangler 4xe teria inevitavelmente efeitos na disponibilidade do todo-o-terreno noutros mercados pelo mundo.

É o fim?

O desaparecimento do Jeep Wrangler na Europa não equivale ao fim do modelo a nível global - seria comparável a a Porsche pôr termo ao seu ícone 911. Para já, resta especular que um eventual regresso possa acontecer com a próxima geração, apontada para 2027. “Estamos a explorar a possibilidade, mas atualmente não nos podemos comprometer com nada”, afirmou Montepeloso.

Até lá, a lacuna deixada pelo Wrangler deverá ser ocupada pelo novo Jeep Recon, com lançamento previsto para este ano. A missão mantém-se - ser o topo de gama no fora de estrada -, mas com uma diferença essencial: é 100% elétrico. Chegou a falar-se numa versão 100% elétrica do Wrangler, porém nada foi confirmado até ao momento: “Sinceramente, não sei se regressará como híbrido plug-in ou totalmente elétrico'”, admitiu Kris Cholmondeley, diretor-geral da Jeep no Reino Unido.

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