A Volvo também teve de encarar os factos: a transição para os elétricos não está a acontecer de forma uniforme à escala global, nem ao ritmo que se antecipava. Por isso, o objetivo definido internamente de ser 100% elétrica até 2030 deixou de ser realista. Os híbridos plug-in vão continuar a ter peso na estratégia da marca sueca até 2040, mas neste ano de 2026 os holofotes estão apontados sobretudo para os elétricos - e, em particular, para um modelo: o novo Volvo EX60.
É precisamente neste automóvel que a Volvo coloca a fasquia mais alta. O próprio diretor-executivo, Håkan Samuelsson, reconhece a importância do EX60 e pretende que este se torne no Volvo mais vendido a nível mundial, alcançando ainda paridade nas margens de lucro com o atual XC60 híbrido plug-in em todos os mercados.
EX60 não pode falhar
O XC60 vai manter-se em comercialização, mas caberá ao novo Volvo EX60 assumir gradualmente o lugar de destaque num segmento premium que tem sido a «galinha dos ovos de ouro» do construtor. A meta é inequívoca: replicar, ano após ano, os volumes elevados e estáveis que o XC60 tem garantido - agora com um elétrico.
Para cumprir essa missão, no Volvo EX60 praticamente tudo estreia. O modelo inaugura a plataforma SPA3, com arquitetura elétrica de 800 V, pensada para permitir carregamentos mais rápidos e ganhos de eficiência. As autonomias anunciadas variam entre 620 km e 810 km (ciclo combinado WLTP), consoante a bateria. Soma-se ainda um sistema de computação centralizada, que reduz de forma acentuada o número de unidades de controlo eletrónico (ECU) a bordo, simplificando atualizações remotas e integrando, de raiz, Inteligência Artificial.
As encomendas já estão abertas, com valores a partir de 67 906 euros, e as primeiras entregas são esperadas para o verão. A tarefa não será fácil: o novo BMW iX3, o Mercedes-Benz GLC elétrico e o Audi Q6 e-tron já competem - ou vão competir em breve - no mesmo espaço. Conheça, a seguir, os detalhes de um dos lançamentos mais relevantes da Volvo:
ES90 quer reinventar o conceito de berlina
A acompanhar o EX60 surge o novo Volvo ES90, sucessor totalmente elétrico do S90. Baseia-se na plataforma SPA2 - a mesma do SUV EX90 - e adota uma silhueta mais aerodinâmica e eficiente, aproximando-se de uma berlina fastback de grandes dimensões, combinando diferentes tipologias.
À semelhança do EX60, utiliza arquitetura de 800 V e um sistema computacional centralizado, recorrendo a baterias de grande capacidade, com autonomias até 700 km (WLTP). Estas especificações chegaram igualmente ao EX90, assegurando ao SUV uma evolução tecnológica expressiva, dois anos após a sua entrada no mercado.
Voltando ao ES90, as encomendas também já arrancaram, com preços desde 72 950 euros. E já tivemos oportunidade de o conduzir em Portugal:
Um ano decisivo
A comunicação da Volvo ajustou-se. Em vez de objetivos rígidos, passou a privilegiar uma lógica adaptativa. O ponto de chegada mantém-se - 100% elétrico -, mas o caminho exige correções e capacidade de resposta às incertezas comerciais e geopolíticas que têm marcado a década. A flexibilidade tecnológica passou a ser indispensável.
A marca aponta para a continuidade dos híbridos plug-in até 2040 e já deu uma amostra do que aí vem: híbridos plug-in de longo alcance, como o novo Volvo XC70. O modelo anuncia até 200 km de autonomia elétrica, embora no ciclo chinês CLTC. Já está disponível na China, mas chegará também à Europa, com lançamento previsto para 2027.
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