No passado dia 11 de março, Michel-Édouard Leclerc assegurou que o preço dos combustíveis iria descer 30 cêntimos. Na prática, porém, a medida acabou por não avançar.
Fecho do estreito de Ormuz e pressão no preço do barril
O encerramento do estreito de Ormuz pelo Irão está a desencadear uma crise energética à escala mundial. E não é difícil perceber porquê: 20% do petróleo do planeta passa por este corredor estratégico, onde os navios-tanque receiam agora ser atacados se se atreverem a atravessá-lo. O impacto sente-se naturalmente na cotação do barril, com reflexos imediatos no preço pago pelos consumidores em França.
A promessa de Michel-Édouard Leclerc: menos 30 cêntimos por litro
Foi neste cenário que o líder do grupo Leclerc, conhecido por anúncios fortes ligados ao poder de compra, fez uma declaração sonora em direto na Franceinfo. Depois de ter, segundo as suas palavras, “posto pressão sobre os refinadores”, garantiu uma redução de 30 cêntimos por litro de gasolina num prazo de 48 horas - primeiro cerca de 23 cêntimos e, numa segunda fase, mais 7 cêntimos.
Mais: a iniciativa não se ficaria pelas suas estações de serviço. O objetivo, segundo indicou, passava também por abranger postos do Système U e, possivelmente, do Intermarché e do Carrefour, com foco particular no gasóleo. Ainda assim, a promessa acabou por não ser concretizada.
O mercado é demasiado volátil, admite Michel-Édouard Leclerc
Contactado pelo meio de comunicação público a 13 de março - data em que os descontos deveriam entrar em vigor - Michel-Édouard Leclerc reconheceu que, afinal, não haveria qualquer operação “menos 30 cêntimos nos combustíveis”. A razão apontada foi a instabilidade extrema do mercado, diretamente associada à guerra no Irão: depois de o barril ter subido por momentos até 116 dólares no dia 9 de março, recuou mais tarde para perto de 89 dólares.
Oscilações tão rápidas tornam arriscado comprometer-se com um valor de desconto fixo. Leclerc, que afirma vender combustíveis com margem zero, não dispõe de mecanismos estruturais que lhe permitam absorver sozinho variações desta dimensão. Ainda assim, fica a nota de que os postos Leclerc continuam abaixo da média nacional, com menos 5 a 7,5 cêntimos, consoante o tipo de combustível.
Os preços de muitos produtos vão disparar
Infelizmente, o aumento não se limita à gasolina. O estreito de Ormuz é igualmente crucial para o transporte de nafta, uma fração do petróleo refinado que serve de base a toda a indústria petroquímica mundial. Plásticos, medicamentos, têxteis sintéticos, cosméticos, tintas, borracha: mais de 90% dos objetos do dia a dia dependem disso, direta ou indiretamente.
O efeito não deverá ser imediato, porque são necessários cerca de dois meses para a subida se propagar ao longo das cadeias de produção. Ainda assim, a fatura deverá aparecer em todo o lado: nas prateleiras dos supermercados, na farmácia, na oficina do automóvel e também na compra de roupa.
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