Este ano, as vendas da Tesla caíram mais ou menos na mesma altura em que Elon Musk passou a ter um papel de grande visibilidade na política dos Estados Unidos. Mas haverá uma ligação factual entre as duas coisas? Um estudo agora divulgado dá uma resposta inesperada.
Política, Elon Musk e a imagem da Tesla
Durante a campanha presidencial, Elon Musk foi um apoiante convicto de Donald Trump, incluindo do ponto de vista financeiro. Como reconhecimento, acabou por garantir um lugar de destaque no governo. À frente do Department of Government Efficiency (DOGE), o multimilionário ficou responsável por supervisionar cortes orçamentais de grande dimensão. E, embora entretanto tenha deixado essas funções, essa passagem teve um impacto claro na sua reputação.
Ao mesmo tempo, o líder da SpaceX acumulou declarações polémicas, chegando mesmo a tentar influenciar eleições na Europa. Perante este contexto, tornou-se previsível que muitos condutores de veículos eléctricos se sentissem desconfortáveis por terem um automóvel da marca Tesla.
Houve até concessionários que foram alvo de actos de vandalismo dirigidos especificamente ao CEO do fabricante. E, sem grande surpresa, as vendas recuaram, sobretudo na primeira metade do ano.
Uma tendência que varia consoante os países
A Global EV Alliance, uma rede internacional de associações de condutores de veículos eléctricos, realizou um estudo amplo sobre a adopção de veículos eléctricos a nível mundial. Para o concretizar, inquiriu 26 000 automobilistas distribuídos por cerca de 30 países. Uma parte do inquérito centrou-se, precisamente, no efeito das acções de Elon Musk.
Resultados globais e diferenças nacionais
Perante a pergunta “Evitarias uma marca automóvel por razões políticas?”, 53 % dos inquiridos respondeu que sim, à escala global. No entanto, o padrão muda significativamente entre mercados: o valor sobe para 71 % na Dinamarca, enquanto no Brasil se fica pelos 16 %.
“De forma geral, observamos que, nos países onde a adopção de veículos eléctricos ainda é limitada e onde a oferta é mais reduzida, a marca pesa menos na decisão dos consumidores”, assinala Ellen Hiep, membro do comité de direcção da associação.
Tesla no centro do boicote político
Outro dado relevante: 42 % dos participantes apontam a Tesla como a marca que evitariam por motivos políticos. Bem mais atrás, 12 % referem “a China”, e apenas 1 % menciona explicitamente a BYD, o principal construtor do país. “Os resultados mostram que, mesmo que o preço e as características do veículo continuem a ser os factores dominantes numa compra, a reputação das marcas também influencia as escolhas”, conclui a Global EV Alliance.
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