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A coleção de carros de Guy Berryman, dos Coldplay, em semana de concertos em Coimbra

Automóvel desportivo clássico dourado em exposição interior com dois carros antigos ao fundo.

Os quatro concertos dos Coldplay em Coimbra começam já esta quarta-feira, dia 17 de maio, e tudo indica que vão afirmar-se como um dos acontecimentos culturais mais marcantes do ano em Portugal.

Em vez de entrarmos no alinhamento ou nas pulseiras luminosas que têm dado que falar, aproveitamos a ocasião para espreitar a garagem de Guy Berryman, o baixista da banda liderada por Chris Martin.

Muito antes de integrar uma das bandas mais conhecidas do planeta, Berryman trabalhava como engenheiro - e essa ligação ao mundo técnico ajudou a cimentar uma apetência natural por tudo o que envolve mecânica.

Também a infância terá pesado: cresceu num ambiente em que o Triumph TR3A do pai fazia parte do quotidiano, algo que dificilmente não contribuiu para o gosto por automóveis clássicos que viria a aprofundar mais tarde.

Embora seja particularmente apaixonado pela Porsche, a sua coleção é bastante variada, com espaço tanto para um Alpine A220 de competição como para um Bugatti Veyron. Ainda assim, o traço mais dominante são os belos automóveis italianos, que ocupam uma fatia significativa do conjunto.

Berryman sabe bem o que tem em mãos - e não esconde o orgulho em partilhar. Já colaborou em peças de reportagem com a Porsche e com a Lamborghini e chegou mesmo a mostrar a sua coleção (ou, pelo menos, uma parte…) numa visita guiada com o conhecido criador do YouTube Mr JWW. Vejam o vídeo:

Do que é publicamente conhecido, a coleção ronda os 25 automóveis. Cada um com a sua história, todos especiais à sua maneira e, quase sempre, alvo de restauros completos: “adoro uma narrativa (…) e gosto de trazer um carro de volta à vida”, disse Berryman, em entrevista à revista GQ.

Lamborghini Miura

O Lamborghini Miura é talvez o exemplo mais extremo dessa filosofia. Como o próprio Berryman contou à GQ, quando o comprou, “chegou em caixas dos Estados Unidos da América”.

“Chegou como uma espécie de puzzle: tinha algumas peças em falta e tivemos que fazer algumas com impressão 3D porque simplesmente já não se encontram, tais como o espelho retrovisor traseiro”, disse.

A ligação emocional ao modelo também é clara. Num vídeo gravado com a Lamborghini, onde aparece ao volante de um Aventador SVJ, Berryman explicou: “O Miura é o carro que me lembro de quando era adolescente como sendo a expressão máxima de um carro desportivo”.

Lancia Flaminia Sport Zagato

Fiel à ideia de “beleza necessária”, Berryman aponta a Zagato como a sua carroçadora de eleição. Não surpreende, por isso, que a sua garagem inclua vários exemplares com linhas assinadas pela casa fundada em 1919 por Ugo Zagato.

Um dos destaques é este Lancia Flaminia Sport Zagato, de grande elegância. Com um motor 2.8 a debitar 146 cv, este coupé conseguia aproximar-se dos 200 km/h.

A exclusividade é rara: foram feitos apenas 33 exemplares. E, segundo Berryman, novamente citado pela GQ, o seu “é o único com os faróis cobertos de fábrica, então é o mais bonito de todos”.

Porsche 356 Carrera Zagato

Conta-se que existiu apenas um Porsche 356 Zagato, construído em 1957 para o piloto francês Claude Storez. A história começa quando Storez compra um Porsche 356 Carrera Speedster e pede à Zagato uma carroçaria mais leve e com melhor aerodinâmica.

O desfecho foi trágico: em fevereiro de 1959, Storez estava a competir com o seu 356 Zagato, capotou e morreu.

Durante décadas, o exemplar caiu no esquecimento, até que, já recentemente, a Zagato recuperou os desenhos originais e conseguiu mapear a carroçaria em três dimensões.

Depois desse trabalho e com autorização da Porsche, a Zagato acabou por produzir nove unidades para prestar homenagem a Storez e assinalar o 60.º aniversário da marca de Estugarda. Uma dessas unidades acabou por ir parar às mãos de Berryman.

Alpine A220

Com um V8 de 3.0 l, o Alpine A220 enfrentou o lendário Porsche 917 nas 24 Horas de Le Mans e figura como uma das peças centrais na coleção de Berryman.

O motor foi integralmente reconstruído em França e, ao que tudo indica, o carro está hoje em condições excecionais - provavelmente no melhor momento da sua existência.

Em termos de resultados em pista, o percurso do Alpine A220 não foi particularmente feliz, ficando aquém das expectativas que a marca francesa depositava no modelo.

Ainda assim, isso não diminui o seu peso na coleção. Para Berryman, trata-se de um dos automóveis mais bonitos que possui: “É extraordinariamente bonito para mim”, confessou à GQ.

Ferrari 275 GTB

Os Ferrari clássicos raramente precisam de apresentações, e o 275 GTB de Guy Berryman é um desses casos óbvios.

Sucessor espiritual de modelos como o 250, o Ferrari 275 GTB - equipado com um motor V12 na dianteira - atingia 258 km/h e continua a ser encarado como um dos grandes desportivos da década de 60 do século passado.

Mas a presença de Maranello não se fica por aqui. Berryman, por exemplo, já vendeu um Ferrari 365 GTC. E na sua garagem há também um Dino, que descreveu como “um dos objetos mais bonitos alguma vez feitos”, como confessou à GQ.

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