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Stellantis fecha 2025 com prejuízos anuais e antecipa 2026

Carro elétrico Stellantis 2026 azul exposto numa sala moderna com grandes janelas e vista urbana ao fundo.

2025 fica registado como um dos períodos mais duros na (ainda) jovem trajetória da Stellantis - o grupo foi criado em 2021. Pela primeira vez, este gigante do setor automóvel fechou o ano com perdas.

O grupo apresentou um prejuízo líquido anual de 22,3 mil milhões de euros, depois de em 2024 ter reportado lucros líquidos de 5,52 mil milhões de euros. Este desfecho resulta, em grande medida, de 25,4 mil milhões de euros em encargos extraordinários associados a investimentos ligados à eletrificação. A empresa reconhece que esses investimentos não deverão proporcionar o retorno antecipado, o que acabou por conduzir a uma reorientação estratégica.

Impacto dos encargos com a eletrificação

Se essa correção ao valor dos ativos relacionados com a eletrificação for excluída das contas, o resultado passa a mostrar um prejuízo operacional de 842 milhões de euros - em 2024, tinha sido apurado um lucro operacional de 8648 milhões de euros. Continua a ser um valor negativo, mas de dimensão contida quando comparado com a escala global da Stellantis.

“Os resultados anuais de 2025 refletem o custo de termos sobrestimado o ritmo da transição energética e a necessidade de redefinir o nosso negócio em torno da liberdade dos nossos clientes de escolher entre tecnologias elétricas, híbridas e de combustão interna”.
Antonio Filosa, CEO da Stellantis

Desempenho no segundo semestre e nova administração

Apesar do saldo anual desfavorável, a Stellantis sublinha que o segundo semestre de 2025 foi mais sólido - e correspondeu ao primeiro semestre completo da nova administração. Esse reforço é visível nas receitas líquidas que, embora tenham recuado 2% face a 2024 (153,5 mil milhões de euros), cresceram 10% quando analisadas apenas no segundo semestre.

A mesma tendência verificou-se nas entregas: a empresa reportou um aumento de 11% face ao segundo semestre de 2024 - mais 277 mil veículos, perfazendo 2,8 milhões de entregas.

Resultados por mercado

Numa perspetiva regional, quase todos os mercados registaram descidas nas receitas líquidas, com a exceção da América do Sul. Já nas vendas aos concessionários, apenas a Europa (o maior mercado do grupo) apresentou queda, ao passo que a China, Índia e Ásia Pacífico se mantiveram estáveis.

Na América do Norte, as receitas diminuíram 4%, condicionadas por tarifas e por efeitos cambiais. Ainda assim, as vendas de concessionários avançaram 3%, para 1,472 milhões de unidades (face a 1,432 milhões em 2024), com destaque para os Ram 1500, Jeep Wrangler, Jeep Gladiator e Chrysler Pacifica.

Na Europa alargada, a receita líquida desceu 2% e as vendas recuaram 3%. O grupo atribuiu esta evolução a um menor volume de vendas em modelos da Peugeot, Opel e FIAT, além de pressão ao nível dos preços.

Como referido, a América do Sul foi o único mercado a combinar crescimento nas vendas (10%) e nas receitas líquidas (2%), impulsionada por países como Argentina, Brasil e Chile. Na China, Índia e Ásia-Pacífico, a Stellantis conseguiu manter as vendas num patamar estável; ainda assim, a receita líquida caiu 6,27%. Por último, no Médio Oriente e África, a receita líquida contraiu 4%, mas as vendas subiram 7%.

A Maserati - a única marca da Stellantis cujos resultados são divulgados em separado - também atravessou um período difícil, com uma diminuição de 314 milhões de euros nas receitas.

Previsões para 2026

A Stellantis antecipa que 2026 seja tão exigente quanto 2025, embora com maior confiança na evolução do negócio. O grupo estima que as receitas líquidas cresçam a um ritmo percentual médio de um dígito e que a margem de lucro operacional volte a terreno positivo, ainda que reduzida - no ano anterior, situou-se em -0,5%.

Para sustentar essa melhoria, a Stellantis aposta fortemente nos novos modelos que já chegaram ao mercado ou que estão prestes a fazê-lo. Na Europa, sobressaem os novos Citroën C5 Aircross, Jeep Compass e FIAT 500 Hybrid. Na América do Norte, o crescimento deverá ser liderado pelos novos Jeep Cherokee, Dodge Charger Sixpack (com seis cilindros em linha) e pela reintrodução da Ram 1500 Hemi V8.

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