Durante muito tempo, falar de um “escape” num automóvel elétrico serviu quase sempre para duas coisas: arrancar risos ou criar som artificial. Quem acompanha a Razão Automóvel no Instagram lembra-se, com certeza, daquele vídeo curto com um Abarth elétrico. É daquelas coisas que ou se adora, ou se detesta.
O que significa falar de “escape” num carro elétrico
Desta vez, porém, a General Motors optou por um caminho bem diferente. A marca registou uma patente para algo que, do ponto de vista técnico, pode ser descrito como um escape aplicado a veículos elétricos. Só que não foi pensado para fazer barulho nem para impressionar ninguém num semáforo: a finalidade é reduzir o risco de incêndio.
Fuga térmica nas baterias: quando o calor foge ao controlo
Em circunstâncias pouco frequentes - por exemplo, um defeito de fabrico, danos estruturais após um acidente ou degradação interna - pode surgir, nas baterias, um fenómeno químico conhecido como fuga térmica.
Numa fuga térmica, uma célula começa a produzir mais calor do que o sistema consegue dissipar. Esse calor passa para as células ao lado e desencadeia uma reação em cadeia. Pelo processo, são libertados gases inflamáveis a temperaturas elevadas. É precisamente aqui que entra o novo sistema de escape desenvolvido pela General Motors.
Um escape que funciona como válvula de segurança
O sistema patenteado pela GM não tem qualquer intenção estética nem sonora. Na prática, atua como uma válvula destinada a libertar, de forma controlada, calor e gases. Assim que os sensores detetam uma condição crítica dentro do conjunto de baterias, um conjunto de válvulas e canais internos abre-se para conduzir os gases quentes e combustíveis para uma câmara central, a partir da qual são descarregados para o exterior de modo controlado.
A ideia é direta: baixar a pressão, retirar calor e impedir que a ignição se alastre às células vizinhas. Em vez de permitir que a energia se acumule dentro da bateria até ao ponto de rutura, o sistema cria uma via de escape controlada.
Do ponto de vista técnico, isto aproxima-se mais da válvula de segurança de um equipamento industrial do que de um escape tradicional. Se não der para evitar por completo a falha inicial, pelo menos que essa falha não destrua todo o conjunto de baterias nem coloque em causa a estrutura do veículo. No cenário ideal, este mecanismo nunca deverá ser ativado ao longo da vida útil do veículo.
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