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Físicos do MIT propõem um laser de neutrinos para investigar os mistérios do Universo

Jovem cientista em bata branca analisa feixe de luz projetado numa mesa com bloco de cimento numa sala de laboratório.

Físicos do MIT avançaram uma proposta para criar um dispositivo com ar de ficção científica: um laser de neutrinos, que poderia ajudar a investigar alguns dos maiores enigmas do Universo.

Porque é tão difícil estudar neutrinos

Os neutrinos são as partículas com massa mais abundantes, mas há uma ironia cruel: são extremamente difíceis de apanhar, o que lhes valeu a alcunha de “partícula fantasma”. Apesar de existirem biliões a atravessar o seu corpo em cada instante, interagem tão raramente com a matéria que se tornam quase impossíveis de analisar em detalhe.

Foi por isso que investigadores do MIT e da University of Texas at Arlington descreveram um conceito de laser de neutrinos que, em teoria, permitiria disciplinar estas partículas errantes, reunindo-as num feixe concentrado e, assim, mais simples de estudar.

Como funcionaria um laser de neutrinos com condensado de Bose-Einstein

Para o construir, seria necessário - pelo menos em teoria - arrefecer uma nuvem de átomos de rubídio-83 até uma temperatura inferior à do espaço interestelar, de forma a que passem a comportar-se como uma única entidade quântica: um estado da matéria conhecido como condensado de Bose-Einstein (CBE).

O rubídio-83 é radioactivo e produz neutrinos quando os seus átomos decaem. Em condições normais, essa desintegração acontece de forma algo aleatória, libertando neutrinos em todas as direcções e em momentos imprevisíveis. Já num estado de CBE, o comportamento dos átomos deverá ficar sincronizado - incluindo o próprio processo de decaimento.

A ideia tem, pelo menos, uma semelhança superficial com um laser convencional, que gera e alinha fotões numa linha bem definida. O resultado esperado seria um feixe intenso de neutrinos apontado numa única direcção, obtido poucos minutos depois de se atingir a temperatura adequada.

O que muda com um feixe concentrado

Detectar um neutrino é, em grande medida, um problema de probabilidades. Os melhores ensaios actuais baseiam-se em observar volumes gigantescos de água ou gelo, em locais com pouca interferência, e esperar pela raríssima ocasião em que um neutrino colide com um núcleo de forma detectável. Conseguir prever onde os neutrinos estarão, dentro de um volume muito menor, ajudaria a inclinar esse jogo a nosso favor.

Uma capacidade mais fiável para detectar e estudar neutrinos poderia abrir caminho para resolver grandes mistérios da física, incluindo o que é a matéria escura e porque é que a antimatéria não eliminou o Universo tal como o conhecemos.

A tendência dos neutrinos para não interagirem com a matéria também poderia ser aproveitada em comunicações capazes de atravessar objectos, inclusive através do subsolo.

Ainda assim, o primeiro passo é confirmar se é mesmo possível construir um laser de neutrinos.

“Se se confirmar que conseguimos demonstrá-lo em laboratório, então as pessoas podem começar a pensar: Podemos usar isto como detector de neutrinos? Ou como uma nova forma de comunicação?”, afirma Joseph Formaggio, físico do MIT. “É aí que a diversão começa a sério.”

O estudo foi publicado na revista PRL.

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