O Fiat Panda 4×4 foi, para muitos, o pequeno aventureiro de eleição numa época em que o conceito de SUV ainda nem sequer fazia parte do vocabulário comum.
Além da tração às quatro rodas - como o próprio nome anunciava - trazia uma distância ao solo superior, pneus de todo-o-terreno e uma primeira velocidade muito curta, usada como uma espécie de redutora. Tudo isto num automóvel com menos de 850 kg.
Por estes motivos, e por muitos outros, o Fiat Panda 4×4 deixou marca, ganhou estatuto de culto e continua a despertar o interesse de colecionadores e entusiastas. Um bom exemplo é este exemplar alvo de um restomod pela Kaeve Cars, empresa sediada nos Países Baixos.
O ponto de partida foi um Panda 4×4 Sisley de 1989 que não se encontrava propriamente num estado animador de conservação. A partir daí, a Kaeve Cars uniu esforços com a Niels van Roij Design e deu vida ao “Piccolo Lusso”.
Este é um exemplar único, praticamente reconstruído desde o zero, apresentado como uma “homenagem à elegância e à funcionalidade”. A carroçaria passou a exibir a cor “Azzurro Blue”, escolhida por inspiração nas tonalidades do mar Mediterrâneo.
As jantes foram pintadas no mesmo tom, tal como os para-choques, as capas dos espelhos retrovisores e vários outros apontamentos que, anteriormente, eram simples peças de plástico sem pintura. Também os grupos óticos foram alvo de alterações cromáticas, com o âmbar dos indicadores de mudança de direção a dar lugar a elementos transparentes.
Por fim, e tomando como referência o homem numa canoa que integra o logótipo da versão Sisley, foram acrescentados detalhes de pintura mais exclusivos. E, tal como no modelo original, o emblema da canoa mantém-se visível na zona lateral do Fiat Panda.
Interior novo e muito exclusivo
O habitáculo do automóvel que serviu de base a este projeto estava num estado que já não admitia qualquer tipo de restauro, pelo que foi necessário criar um interior totalmente novo.
Desta forma, painéis das portas, tabliê, volante e bancos receberam acabamentos renovados em pele, em tons castanho e branco. A instrumentação permanece a original, embora com uma melhoria ao nível da decoração, e nem sequer falta o inclinómetro que integrava o equipamento do modelo de origem.
Os encostos dos bancos, o volante e os painéis das portas exibem o logótipo do homem na canoa, cosido a branco. Já na bagageira, surge agora um piso em madeira, inspirado no universo náutico.
Fiat Panda e o motor FIRE
Um Fiat dos anos 80 costuma estar intimamente ligado à família de motores FIRE, e este utilitário desenhado por Giorgetto Giugiaro não foge à regra.
Apesar de a empresa não ter partilhado muitos dados sobre a mecânica, tudo aponta para o conhecido bloco FIRE de 1 litro, com uma potência a rondar os 50 cv. E, por se tratar de um Panda, a roda de substituição continua a estar colocada mesmo por baixo do capô.
A tração integral mantém-se a cargo da Steyr-Puch, responsável pela forma competente como o Panda se costumava desenvencilhar de alguns «apertos», mesmo quando os trilhos se afastavam do asfalto.
Está à venda
Este verdadeiro «memorial rolante», que em tempos foi um Fiat Panda 4×4 Sisley de 1989, é hoje bastante mais do que isso. Ainda assim, em vez de ficar guardado algures numa garagem, está disponível para venda na Kaeve Cars, em Uden, nos Países Baixos.
O valor de 30 mil euros traduz a exclusividade desta criação. E será difícil encontrar, no mercado de usados, um Fiat Panda 4×4 num estado de conservação como o deste “Piccolo Lusso”.
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